domingo, 29 de março de 2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

12 - A Última Página dos Apóstolos / The Last Page ?

James Patrick Page, (1944 -…).
Em 1969 apareceu nas montras das discotecas (lojas onde se vendiam discos) um LP com o estranho nome de Led (mal sabia eu que aquilo era uma espécie de transcrição fonética já a cair para o «heavy») Zeppelin e com a imagem fálica do dirigível na capa a desfazer-se em fumo e chamas, imperceptíveis no grafismo a preto e branco, mas reconhecíveis porque já as teria visto num qualquer apontamento histórico-televisivo. Comprei. No lado B, a terceira música chamava-se Communication Breakdown e acredito que tenha contribuído significativamente para as minhas aprendizagens sobre o assunto. O Jimmy Page, que já tínhamos visto na tela, no Blow Up do Antonioni em 1966, na companhia do Jeff Beck (já a partir a guitarra em palco, confrontando o amplificador em distorção, o que viria a ser a imagem de marca de outro Jimmy em Woodstock, mas este bem mais sensual), encheu os ouvidos do pessoal menos delicodoce e deu-nos a primeira ideia a sério do que queria dizer metal pesado. Confirmou tudo pouco tempo depois com Whola Lotta Love ou Immigrant Song, entre tantas outras, que fizeram a banda sonora do início da década de 70 do século 20. No lugar deste não poderia estar mais ninguém.
(Agora só falta o patrono – o figurão do meio).

terça-feira, 24 de março de 2009

Clapton(mania)


Eric Clapton (1945 - ...).

Há já mais de 2 meses (desde 9 de Janeiro) que não publico nada sobre os apóstolos musicais. Retomo agora essa espécie de vida dos ditos com o décimo primeiro, o virtuoso Clapton, nunca tão rápido como o Lee nem tão brilhante como o Page (está quase a chegar), mesmo nada de tão inovador como o Hendrix , nem de perto nem de longe tão melodioso como o Carlos, o que é um facto é que não poderia faltar no retábulo, seja pela «slowhand» nos Yardbirds, pelo ácido do Cream, pela magnitude de Blind Faith, ou por todas as restantes manias de tratar a viola como a sua real senhora eléctrica (she don't lie... she don't lie... she don't lie...).

segunda-feira, 23 de março de 2009

A Outra Margem / The Other Side

Um filme de Luís Filipe Rocha
Já deveria ter visto este filme há mais tempo, mas ... vale mais tarde do que nunca e, neste caso, o dito comum é completamente verdadeiro.

Nos últimos tempos tenho saído a meio de diversos filmes portugueses, umas vezes aborrecido e ensonado até mais não, outras completamente irado com o péssimo serviço que alguns «cienastas» continuam (deve haver muito dinheiro por aí sem qualquer destino) a prestar ao cinema português.

Não foi isso que aconteceu no passado sábado em Faro, no Teatro das Figuras, onde a associação Apatris 21 levou a cabo uma sessão de visonamento do filme A Outra Margem de Luís Filipe Rocha. Trata-se de um excelente filme, sem dúvida um dos melhores filmes portugueses dos últimos anos e, decididamente, um dos filmes mais bem trabalhados em termos da totalidade expressiva das linguagens fílmicas utilizadas, desde a direcção de actores à sonorização e montagem. Espartano e exemplar modo verdadeiramente cinéfilo de contar uma história ( ou duas, ou três, ...) que nos faz voltar a crer que talvez ainda valha a pena, de vez em quando, ir ver cinema português. Mas não foi apenas a excelente realização e utilização de meios cinematográficos que me impressionou. De facto, tal como tantas vezes me senti profundamente envergonhado face à imbecilidade de tantas outras historietas candidatas a reflexo de uma suposta idiossincrasia nacional-autista com ares intelectualóides, desta vez senti-me profundamente emocionado com a honestidade simples daquela narrativa que nos transporta sem peias nem outros maniqueísmos para um universo da diferença humana, imperfeito, claro, por confronto com os nossos universos reais, sociais, individuais e quotidianos onde ainda predomina a mais perfeita indiferença.
Obrigado Luís.
(Também publicado em O Charme Discreto da Bloguesia).

domingo, 22 de março de 2009

Informação, Comunicação e Literacia nas Sociedades Modernas



Publicado no Observatório do Algarve em 19/03/2009.
Photo credit: Yurok Aleksandrovich

A informação nas sociedades contemporâneas ainda é «bichinho álacre e sedento»? Ou seja, ainda é o principal móbil de tantos esforços e sacrifícios apenas para garantir o nosso direito ao conhecimento dos factos e dos contextos?
Ou é já, fundamentalmente, uma mercadoria transacionável como qualquer outra e portanto sujeita às vicissitudes da oferta e da procura, usando os seus agentes produtores e difusores, por vezes e até amiúde, todos os meios possíveis e imaginários para a tornarem numa mercadoria mais atraente e apetecível, logo, provavelmente mais rentável?

De facto, as sociedades modernas tornaram-se mais explícitas e transparentes do ponto de vista informativo, mas a tal explicitação e transparência nem sempre corresponde uma dimensão de entendimento e partilha da informação entre todos os elementos que deveriam participar nos processos comunicativos implicados nas actividades de produção, difusão e recepção informativa.

No entanto, a crescente presença dos meios de comunicação - os media - no quotidiano das sociedades modernas e na formatação dos modos de organização desse quotidiano, nomeadamente no que respeita à utilização dos novos media, implica só por si uma maior consciência dos próprios media e das suas funcionalidades.

Esta condição de consciência mediática tem sido identificada em vários contextos de informação, comunicação e educação, vindo a ser designada, cada vez mais assiduamente, por Literacia dos Media.

Um dos principais problemas com que se debate esta nova forma de literacia nesses contextos vários de explicitação e utilização informativa, mas sobretudo relevante no contexto comunicativo, colaborativo, interactivo e multimediático da Internet, é o da credibilidade dos conteúdos e das suas fontes, designadamente no que respeita à sua origem, independência, e natureza dos objectivos reais.

Nestes novos contextos informativos, um estado desenvolvido de Literacia dos Media, nas suas vertentes cultural, crítica e criativa, é um dos melhores instrumentos que se poderá propor aos produtores, difusores e receptores dos media, de modo diferenciado, mas de valor igual.

Essa proposta é um dos grandes desafios que as Universidades devem encarar e assumir na definição das suas missões e objectivos para a modernidade.