terça-feira, 23 de dezembro de 2008

City of Manif3stos - A Lesson from the Thames to the Tejo

E continuando esta série de outros postais de boas festas, tenho de referir este que está muito Hip e acerta em pleno nas festividades, nas humanidades, nas familiaridades, nas cumplicidades, pelas cidades, das liberdades, de aqui e de Alen-tamisa-idades:
http://br.youtube.com/watch?v=jM0BPIw9rAE
http://www.manif3stos.com/
Bom natal, pessoal, não faz mal, cada qual, ser igual, ou diferente do pai-natal-surreal-em-inglaterra-ou-em-portugal... etc e tal...

domingo, 21 de dezembro de 2008

Stand By Me, around the world...

Ainda num espírito de natal,
nada comercial,
desta vez por sinal,
mesmo nada mal,
o Manuel Pinto reenviou esta outra versão da vontade de não estarmos sós por onde quer que andemos no mundo.
«When the night has comeAnd the land is darkAnd the moon is the only light we'll seeNo I won't be afraid, no I won't be afraidJust as long as you stand, stand by me»

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Interlúdio


Enquanto faço esperar o Marley e o Page, fica aqui este pequeno exemplo de ludologia musical entre o abrir e o fechar do pano sobre o Percussionista, desta vez sem vibrafones, mas com boas vibes.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Cont. Cena (9) The Winter of our Content

«The Winter of our Content»
could be about how «the future of media is securely in the hands of the tech dudes» in the words of John Fine, another media blogger, but, in fact, it is about Johnny.

Instado pelos comentários do Francisco David (ò Chico, então o José Feliciano? Com franqueza, não havia necessidade…) que já vai à frente na tabela dos comentadores da casa, retomo a explicação do retábulo aos peixes com o João Inverno (o nº 9).
Jonnhy Winter (1944-…), guitarrista de primeira água a puxar para os blues e o seu irmão Edgar, multi-instrumentista a puxar para o jazz, ambos rocking albinos como marca registada de familiaridade musical, a qual pode ser ouvida em «Live Jonny Winter And» e noutros discos, representa aqui a força e presença dos Blues nos domínios do rock e da pop. É bem claro que muitos mais poderiam estar neste lugar e sem ordenar o que quer que seja: John Mayall, John Lee Hooker, B.B.King, Muddy Waters, Bo Diddley, Chuck Berry,…
Mas para quem já leu o post stoneano aqui fica esta versão invernosa do Jumpin Jack Flash.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

CIAC - Are You Talking To Me?


CIAC - Centro de Investigação em Artes e Comunicação
(Research Center in Arts and Communication)
Núcleos de Investigação em Estudos Fílmicos, Comunicação, Artes Visuais e Estudos de Teatro - Pólos na Universidade do Algarve e na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa.
- Floyd Searching for Zabriskie (Into the Pink, remember the Point)!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Digital Youth and Media Appropriations, Rewind

For two years ago we (several participant organizations from 9 + 1 different countries) concluded the project MEDIAPPRO with a feeling that we «found something». Now it's time for the University of South California and the University of Berkeley, California, to confirm that those results were not only valid for old Europe but also for the Brave New Worlds (in fact our friends from Canada at the Universities of Montréal and of Sherbrooke had already stated the same). So, how long are the educational authorities of our states going to blind over these facts before they move over to some more pro-active policies, like developing Media Literacy above frontiers, as a sign of mature and responsable perception of the existing global media contexts, instead of taking small ICT pills against local anxieties of a so called 1st world surroundings?
Maybe it is time to move from ICT multimiracle landscapes to Media Literacy reality shows! Shall we try it at the next EUROMEDUC Faro seminar, or at the final EUROMEDUC congress in Bellaria? See you there!

domingo, 7 de dezembro de 2008

Para não dizer que não falei da avaliação

Dizia o meu amigo e colega Domingos Fernandes, há apenas poucos dias, que avaliar é das coisas mais difíceis de fazer, de implementar, de estruturar, de planificar, de implicar, de aferir, de reavaliar e, sobretudo, de evitar que os processos de avaliação mais problemáticos e eventualmente menos fiáveis, sejam-no lá porque razão for, venham a marcar para todo o sempre as carreiras e as vidas dos avaliados. E dizia ele: «isto é assim para os professores e é assim para os alunos». Ou será que a avaliação só é problemática e eventualmente menos fiável quando se aplica aqueles que têm voz organizada através dos sindicatos, das pró-ordens, ou de outras associações e plataformas de intervenção pública que lhes amplificam as preocupações, eventualmente legítimas?
Aliás, legítimas seguramente, porque como já se disse, isto da avaliação é mesmo coisa muito séria, fartinha de ser estudada, investigada, depurada, reformulada, redimensionada, enfim reinventada, mas sem grande sucesso, convenhamos, pelo menos aqui neste luso-quintal em que nos alcovitamos. Não fora esse falhanço e já teríamos certamente corrigido, como resultado de alguma avaliação mais séria, rigorosa e sistemática, alguns erros de base que nos colocam nos níveis europeus mais baixos das diferentes literacias que se pensa de algum modo poder medir ou comparar, ou seja avaliar.
E aos alunos que todos os períodos, semestres e anos descambam para fora do sistema educativo, vítimas dessa mesma complexidade avaliativa que não se compadece com os seus problemas individuais, sociais, culturais ou cognitivos, nem com a falta de tempo, de paciência ou de competência dos seus professores para os enfrentar, a esses alunos quem é que lhes amplifica as preocupações quando não encontram emprego digno ou quando chegam ao ensino superior (último reduto de estacionamento estudantil e barbitúrico colectivo para o estado geral de desemprego em antevisão) sem saber escrever fluentemente pelo menos numa língua, sem conseguir dominar algumas operações fundamentais de cálculo quotidiano, sem ler o que quer que seja com mais de 2 parágrafos seguidos que não trate de bola e, sobretudo, sem bases nem cultura de questionário, de reflexão, de análise, de síntese, nem, muito menos, de crítica fundamentada? Quem? As associações de pais? Que durante tanto tempo foram vistas como empecilho necessário para dar um ar de modernidade, mas a evitar por todos os meios possíveis e imaginários que metessem o bedelho nos redutos sigilosos das escolas, (claro, os níveis de literacia da população em geral não são alheios a essas associações, logo…)? A Tutela? Ou seja o Ministério que agora está na mira de quase todas as espingardas, mesmo as mais arrivistas? Nem a brincar aos «Magalhães» a Tutela é capaz de identificar os problemas do sistema que gerou e que mantem, quanto mais a dar voz aos famélicos da educação, vítimas dos telemóveis, dos impropérios dos media e de outras diatribes consumistas, mas formadoras, de pé nas carteiras quando deveriam estar sentados a ouvir coisas que a maior parte das vezes não lhes dizem respeito porque não têm quaisquer condições de as assimilar, nem os professores de as avaliar, quais flores de estufa desconexa e desconchavada ao suposto abrigo das intempéries educacionais. Então…?
Pois eu também não sei, aliás, cada vez mais só sei que nada sei, como dizia o outro. Mas, aparentemente, as tutelas e as corporações das esferas educativas parecem saber, uma vez que sempre que abrem a boca é para reafirmar a pés juntos que dali não saem, dali ninguém os tira. Já vi chegar ditaduras ao poder (várias infelizmente) por caminhos falaciosos menos convictos. E a educação, ou antes a falta dela, é meio caminho andado para da dita-mole se chegar à dita-dura (aliás, já alguém se perguntou o que faz uma coisa chamada Inspecção Escolar – só o nome…, bem, provavelmente é uma espécie de ASAE das escolas, até melhor informação – Inspecta? Inspecta o quê? E quem? E porquê? E com que efeito? Então e não avalia…?
Olhem, depois não digam que não falei das flores.
(E já agora podem sempre ver e ouvir o comentário do JMF do Público, que dá uma no cravo e outra na ferradura, mas verdade se diga , que em matéria de avaliação, é muito difícil não dar).

sábado, 6 de dezembro de 2008

De Agregação






Foram as provas que o meu amigo Manuel Pinto, colega investigador e professor das coisas dos media (e também fotógrafo de outros investigadores das arábias, como fica patente na foto acamelada), concluiu ontem com sucesso na Universidade do Minho. Ao Manel, ao seu Departamento e à sua Universidade, aqui ficam os parabéns públicos e as melhores saudações.
(Imagens surripiadas ao semanário Barcelos Popular e ao blogue do nosso amigo e colega Rogério Santos Indústrias Culturais , e, a do camelo, gentilmente oferecida pelo Agregado).

Lethes' Jazz

Depois do clamor da mocidade portuguesa e prolongando o interregno explicativo do retábulo apostólico, tinha de vir o Jazz, como antídoto.
E ontem à noite veio o jazz a la scala, ou seja, na excelente acústica do quase-a-la-escala-em-miniatura-do-la-scala que é o teatro Lethes de Faro, tocaram o meu amigo «Bad Guy» Zé Eduardo, que já toda a gente conhece cá no Burgo, lá na Praça da Alegria, nas Ramblas, no Raval e em La Gracia, no defunto CBGB da Big Apple e até em Sines na Rua do Lanterna Vermelha, mais o Alberto Pintón, italiano «stucked» em Estocolmo há vários anos, o que, aliás, se nota no tempo e no tom swedjazz, a fazer lembrar Jan Johansson, das suas baladas barítono-saxistas. Formação díficil, como os próprios reconheceram, em duo de sax muito variado (do barítono ao ottavino) e contra-baixo bem avariado, ou zézado, mas por momentos também a fazer lembrar os acordes da Song for Che do Charlie Haden, o que justificou um só set com encore. Embora eu tenha ficado com a impressão que aquilo poderia ter ido até 8 ½, pelo menos, ainda que o Nino Rota por lá não tivesse passado, nem sequer o Wagner.
(Nas legendas das fotos, quase ilegíveis, consta «everybody deserves a great bass sound», e não consta «but we got it!» + http://www.gremiodasmusicas.org/).

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Mocidade Portuguesa, «Quem manda?» ...

O meu amigo Joaquim Vieira, antigo colega do Técnico e das respectivas lides associativas, orador e mentor teórico dos putos mais novos (como eu) nos seminários clandestinos (eram mais à surrelfa e de regabofe retemperante do que outra coisa) em plena serra de Sintra no ano da imensa graça dos gorilas e das greves de 1972, vai agora lançar um livro sobre a Mocidade Portuguesa, a tal, das botas cardadas dos chefes de esquina e de castelo e mais não sei o quê porque nunca tive uniforme com o famoso S no cinto, embora tenha andado a marchar no pátio do D. João de Castro feito tolinho ainda que à paisana a cantar e a rir levado levado sim e a fazer pontaria com uma pressão de ar torta de nascença, a montar tendas com pauzinhos na mata do liceu e até a carregar pesadíssimos Lusitos para o rio em Belém, que depois nunca velejavam por falta de tempo. Mas por acaso a gente até se divertia (dizer isto é quase sacrilégio para o pessoal da boa consciência política, só que é verdade... mea culpa, mea culpa).
O lançamento será no dia 11, às 17.00, na FNAC do Chiado, com apresentação da obra pelo Pacheco Pereira (olha outro blogueiro). Eu tenho muita pena de não poder ir até lá, porque a província ainda está no mesmo sítio onde sempre esteve e virá a estar mesmo que o tgv nos passe à porta, mas recomendo alegremente o evento aos que puderem usufruir da condição de cidadania urbana e capitalesca - de capital - cidade principal do estado, de coisas. Boa Joaquim.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

(8) O Canto do Jim











Já aqui disse que vários dos apóstolos nomeados poderiam ter sido substituídos por outros tantos, alguns já santos e outros nem por isso, provavelmente assim será o caso de outros mais que ainda estão por vir, mas tal não é de modo algum o caso do Jim Morrison,


no apocalipse
agora,
na hora
da vossa,
nossa,
pôssa,
morte,
antes
do horror
do vazio
da palavra,
a música
é o princípio
do fim,
no canto
do jim.

A música dos Doors (que também passava no Em Órbita e de vez em quando, ainda que algo subrepticiamente, na Associação do Técnico enquanto se carregava o projector de 16mm para exibir pela vigésima sexta vez o Couraçado Potenkin) era um sinal de altivez e de ousadia anti-fadista, fosse à Espera do Sol, com o Jim de calças de couro já morto e enterrado, fosse na Cozinha da Alma do album duplo ao vivo, onde vimos as primeiras imagens do rapaz a dar par o gordo e de farta barba a fazer lembrar o Guevara que copiámos, stencilámos e distribuímos à porta do liceu um par de anos antes. O canto do jim haveria de perdurar para além do Pére Lachaise, onde levei os meus filhos em peregrinação vários anos depois de eu ter chorado em pleno ferribote do Porto Brandão para Belém numa manhã de Julho, quando já só restava alguma oral meio macaca para acabar o 7ºano com notas suficientes para dispensar do exame de admissão às engenharias electrotécnicas. O rio, o sol e os gritos de desespero que haveria de repetir até à exaustão no aconchego do quarto de águas furtadas ao som de um gira-discos rafeiro mas pronto para o exorcismo do xamã lagarto, rei dos poetas das rimas de fraca figura e pé quebrado, Baudelaire, Rimbaud, Brecht.... contra tudo o que nos cheirava a bafio e a delicodoce, tipo, diso é que eu gosto, ou quando o telefone toca... oque nós queríamos era O MUNDO, and we want it... NOW, só nos faltava passar para o outro lado, e do outro lado, na outra margem, estava o sol à nossa espera, era só apanhar o barco dos loucos...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Última C, o 7 (canta ao ouvido do Patrão)


Bob Dylan, aliás, Robert Zimmerman, aliás,... (1941-…)
Quando a sua voz fanhosa imperava nos silêncios prolongados do Em Órbita, sem concorrência de qualquer play list ainda por nascer, ou quando atravessava os corredores desarrumados da Associação de Estudantes do Técnico como uma das raras excepções à música clássica ali decretada como banda sonora oficial do associativismo militante, mesmo que a nossa alma estivesse prosaicamente debruçada sobre a magnífica consistência da sopa fumegante na cantina, a nossa mente acordava como que por instinto de sobrevivência no sentido mais literal do termo, queríamos viver sobre todas as estrofes e todos os acordes e aquela voz fanhosa dizia tudo o que nós queríamos dizer e não podíamos ou não sabíamos, porque feitas as contas, sabíamos muito pouco de tudo e de nada, mas sobretudo também não queríamos olhar para trás, Baby Blue.
Enquanto o Allen Ginsberg faz um número extra:

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Ao Meio (é que não está a virtude)?




Il Patrono (…-…), The Boss? (até já houve quem dissesse que era o Van Morrison, mas também poderia ser o Manuel Alegre?), o Chefe da Banda, que seria o nº 7 se fosse apóstolo (número mágico das religiões e da bola, aliás, são quase a mesma coisa), mas que é apenas um entremeado, assim muito mais do tipo «o Patrão» segundo Carlos Ruiz Zafón, que necessita de outras vozes para cantar as suas histórias, mas, seguramente, sem o golpe de asa para trazer pela mão a jovem Cristina, qual electric young lady da terra que acaba no mar, cantando e rindo, de volta às ensinanças do amadurecimento-armado, jogando o jogo do anjo, entre as brumas da memória, levada, levada sim, talvez pela sombra do vento… a sombra do vento que passa?… feita morgadinha dos canibais… e agora, José?
(que grande Fraude!)
(Isabella, para arrumar os papéis, precisa-se!)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A Saga da Última Ceia continua - 6


De facto já começam a aparecer os mais fantasiosos palpites sobre a razão de ser da última ceia versão r n r e dos seus protagonistas, alguns em comentário e outros em «live», alguns andam mesmo muito próximo, quase a queimar o retábulo. Mas vamos manter a suspança, com a complacência dos que já adivinharam, dando continuidade à platibanda apostólica e cumprindo a primeira metade do friso.

Jimmy Hendrix (1942-1970), o mago da guitarra, ou viola sem ser de gamba, com alma de cigano e swing até dizer chega. Queimar guitarras em palco, tocar o hino com distorção e inventar acordes, de que nem o Django se lembraria, que faziam chorar as pedras da calçada e eriçar os cabelos dos sovacos das costureirinhas encheu-nos as medidas, era algo que não passaria pela cabeça de ninguém daquela época neste jardim à beira mar plantado. Também é verdade que aqui poderia estar o Otis, a voz mais melodiosamente cool da soul, ou a Janis, a voz branca mais azul que alguma vez se ouviu, mas ficou o Jimmy e ficou muito bem, experienciando uma madalena nada arrependida e a ver estrelas contra os canhões e os barões assinalados por qualquer electric ladyland sentada à mesa em versão adaptada.
(naquela altura os capitães ainda não eram o que viriam a ser).

Media Literacy

A European exchange network for media literacy
Faro Seminar: Media Literacy and Youth Appropriations of the Internet.(English) (Français)
Embora não seja muito recomendável misturar conhaque com trabalho, igualmente a pedido de várias famílias (as mais chegadas à profissão), interrompo aqui a série explicativa dos actos dos apóstolos para dar a conhecer o projecto Euromeduc que, no campo da Literacia dos Media, não me parece que seja de deitar fora. Enjoy!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Última Ceia 5


Mick Jagger (1943-…) tem a maior boca do rock n’ roll, tirando a Tina Turner, fazendo dela a imagem de marca dos Stones, embora a fronha enrugada do Keith Richards debruçado sobre a viola eléctrica de sons ácidos não seja de menor gabarito. Os calhaus rolados, no princípio, eram o pólo oposto dos escaravelhos, nada de cançonetas lamechas de mão na mão e I love you ye ye. Aquilo era só rythm n’ blues bem rasgado mas que, com o andar dos tempos e o encher da veia melómana do Brian Jones (1942-1969), foi ganhando textura melódica de fazer inveja aos «guedelhudos» de Liverpool, como por exemplo em She’s Like a Rainbow ou Paint it Black.
Os Stones eram a revolta contra tudo e contra todos bem visível no ar arrepiado das mães e dos pais das meninas namoradeiras a quem alguma vez oferecemos o Jumping Jack Flash como prenda de anos.
«Watch it!I was born in a cross-fire hurricane

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Última Ceia 4


Frank Zappa (1940-1993), norte-americano de gema, mas também cidadão e compositor do mundo, pai das mães da invenção, ou seja das necessidades, representou tudo o que de mais irreverente se podia imaginar, para além de ter sido uma porta de entrada para o jazz e para uma muito maior complexidade lírica e musical do que estávamos habituados no mundo pop-rock. The Mothers of Invention foram a necessidade de ouvir tudo e mais alguma coisa com os ouvidos mais abertos do que nunca fora ousado.
«What's there to live for?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O Cheiro do Amor


Hoje o Amor é teve cheiro, ou seja, de facto não teve porque, tal como a Inês M. explicou com o seu charmoso tom de quem vai à fonte sem quebrar a cantarinha, a Rádio não tem cheiro. Mas logo o Júlio M. V. ripostou que há estudos científicos que demonstram de forma bem demonstrada que o cheiro a suor fresco dos machos (tipo, canalizadores polacos, entubadores ucranianos e picheleiros portugas) é um isco fenomenal para atrair a atenção das fêmeas, sobretudo profissionais urbanas de meia-idade, em hora de ponta. Depois de alguma indecisão mútua sobre os benefícios dos perfumes e dos desodorizantes, veio-me imediatamente às narinas mentais a ideia do aroma combinado entre suor seco e retardado com excesso de desodorizante e algum perfume à mistura entre machos e fêmeas enlatados em elevadores de urbanidade inox com painéis de fórmica e alguns espelhos ainda em hora de ponta. Uma breve pausa enfática e lembrei-me daqueles filmes em smell-o-vision e cinemascope que largavam os cheiros na ampla sala do cinema da obra social do Porto Brandão de acordo com as sequências alinhadas para a matiné: plano de conjunto das rosas no roseiral, cheiro, plano médio da rapariga à janela, cheiro, plano de conjunto do estábulo e do celeiro com restolho em volta, cheiro, grande plano do rapaz a coçar a cabeça apoiado na forquilha, cheiro, plano americano das vacas a dar ao rabo para enxotar as moscas, cheiro, grande plano da mosca pousada …, náusea e saída pela esquerda baixa junto ao balcão da finesse, rua, ar fresco, … na semana seguinte o amor seria entre índias e cowboys, sem cheiro nem verosimilhança.

Última Ceia 3


John Lennon (1940-1980), foi dos escaravelhos o que mais assumiu a sua qualidade de apóstolo «mais famoso do que o próprio JC» (embora hoje já tenha sido perdoado pelo Vaticano) da nova ordem musical de todos os acordes de todos os santos de todos os dias da nossa vida naquela altura. Foi também, sem dúvida, o melhor de todos os Beatles, fosse como uma verdadeira Morsa-prima voadora espalhando diamantes e condecorações pelo céu, ou como seu mais directo alter-ego-antagonista: «The Walrus was Paul».
«I am he as you are he as you are me and we are all together.See how they run like pigs from a gun, see how they fly.I'm crying.»

domingo, 23 de novembro de 2008

Última Ceia 2


Carlos Santana (1947-...), autêntico apóstolo dos ritmos afro-latinos no seio do rock'n roll anglo-americano, que nos fez recuperar alguma latinidade perdida e envergonhada, tal como Manu Chao faria quase 30 anos depois, sobretudo com o êxito das músicas de fusão (improvisos bem mesclados com solos sublimes de guitarra, ambientes ácidos de órgão quase sacro e muitas percussões assentes em linhas limpas de um baixo fortemente pulsante, como por exemplo em Jingo e Soul Sacrifice no primeiro álbum, Santana, 1969, para além das fartas cabeleiras à Angela Davis e dos bigodes à Pancho Villa, mas muito principalmente com a afirmação quase adulta das melodias doces de Black Magic Woman e Samba pa Ti, lado a lado com o ritmo erótico de corrido rock-latino-afro-zapatista de Oye Como Va em Abraxas, 1970, o tal da capa estonteante e afrodisíaca de Robert Venosa.

sábado, 22 de novembro de 2008

Última Ceia 1


A pedido de várias famílias, que me têm feito chegar as suas interpretações mais crentes à caixa do correio, inicio aqui a explicação (mais ou menos quotidiana) do retábulo aos peixes, cuja concepção e fotomentagem é do cesarengs/DJ7, (2007).
Assim, da esquerda para a direita:
Roger Daltrey (1944-…), vocalista dos The Who, que talvez esteja um pouco forçado porque o Pete Towshend, ou o Keith Mooon, teriam sido mais emblemáticos, mas que, por outro lado, com aquele seu ar menos Mod e mais anos 70 de cabelos encaracolados e soltos como as meninas gostavam, acabou por dar a cara à My Generation.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A Lurdinhas deu o braço a «trocer»?


A nossa senhora da educação, a nossa Lurdinhas (é assim que ela é mais conhecida na blogoesfera e no ciberespaço) deu origem aos planos de salvação nacionais de pretoguês e de màstemática, em boa hora, dizem os entendidos, assim como fez acabar com as faltas dos professores por obrigação de utilização do artº 4º entre outros atestados e demais produtos palio-justificativos para depois meter a cabeça na avaliação. Onde é que já se viu tal coisa, num país em que não se avalia nada, querer agora avaliar tudo o que diz respeito à prática científico-pedagógico-funcional dos professores e por tabela das escolas. Oh Lurdinhas, com franqueza, então e o bom senso? e os brandos costumes do bom povo pretoguês? E a bica e o pastel de nata? E a telenovela da tarde? E a da noite? E os bicos de papagaio? E a nossa senhora de fátima (pese embora a de lurdes)? E o fado da nova-desgraçadinha? E o futebol da vitória moral e ortográfica contra os 6-2 do Brasil? E a bronquite-asmático-crónica da brigada do reumático? E a mais do que conhecida inércia genético-cultural dos sistemas educativos daqui e dalém mar que só mudam passando por cima do próprio cadáver e, mesmo assim, só com autorização do encarregado de educação em papel selado com o carimbo da respectiva paróquia acompanhado da declaração de ausência de dívidas ao erário público e e do certificado de residência na freguesia testemunhado por duas vizinhas de reconhecido bom nome? Pois agora teve de dar o braço a «trocer», ... odmiram-se? Ê cá nãmodmiro, nã senhora, faz parte da nossa idiossincrasia, a qual é tão forte, prevalecente e reactiva que até podemos exportar para outros países bem mais subdesenvolvidos do ponto de vista dos costumes inducativos, tais como a Suécia, a Dinamarca, a Finlândia e, pasme-se, até mesmo a Ucrânia, a Eslováquia e a Eslovénia que até há pouco tempo nem sequer eram países com nome de gente. Troce, Troce, que o povo trocido jamais será vencido!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

LeiteMotivos II


Hoje, o Amor foi o Júlio M. V. a dizer à Inês M. que não é lá muito bom partido culinário nem, muito menos, bricoleiro, pelo que nunca teria grande futuro como marido de aluguer lá naquela agência argentina que alquila maridos para todo o serviço (mas do tipo, arranjar torneiras e desempenar portas, e outros serviços muito decentes para homem de baraba rija) E não é que no fim do programa se ouviu o tom da gargalhada golfante, logo reprimida, do António M. a pensar lá para com os seus botões qualquer coisa do tipo «É claro que qualquer senhora que se preze está no seu direito de encomendar um marido de aluguer para lhe desentupir os canos..., ou para lhe ir ao leite..., ainda que às 3 horas da manhã…) e logo a gargalhada alarvemente libertadora ali morreu no meio de uma alocução sexualmente correcta sobre os amores que são de segunda a sexta, etc e tal..., tá bem abelha, deixa-os pousar, que eu cá fico à espera do último a rir (e o António M se muito bem calha também).

LeiteMotivos I


Vou revisitar dois temas já abordados e que passam quase a assumir a qualidade de LeitMotiv deste bloguejar protuguês : Leite e Amor (o amor é … já a seguir).
Então, dizem que a MFL andou a propor uma sabática semestral para a democracia? Não me parece, o que ela poderá ter feito foi um rewind qualquer aos tempos em que foi ministra da educação, qual dama de ferro à portuguesa, ao lado de quem, a actual ministra da dita cuja pasta educativa pareceria uma dócil cordeirinha. Fraca memória sempre foi uma das nossas características, por isso é que o Salazar foi o mais famoso aqui há uns tempos e o Santana ainda se mexe em Lisboa e, já agora, a Maria de Lurdes que não desanime porque, à luz da história, ainda pode muito bem vir a ser secretária geral de um PS na oposição num qualquer futuro próximo de si.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Mas mesmo assim, a Suécia...

Ainda é aquele país onde 95% da população que sabe ler lê todos os dias pelo menos um jornal diário, sendo que a maioria lê mesmo dois, um nacional e um regional. Não admira que a literacia, nomeadamente a dos media, esteja em alta lá pelos nortes. De entre todos os jornais diários suecos, escolho o DN (isso mesmo, o Diário de Notícias på svenska), ou seja o Dagens Nyheter, que hoje traz na primeira página uma chamada para aquilo que os seus redactores chamaram «as 5 melhores obras impressas de e sobre Bergman», que inveja e que saudade de ler jornais assim logo pela manhã, bem cedo à mesa da cozinha, com o aroma do café quente a misturar-se com o suposto odor tipográfico (só na minha mente claro), Diário de Notícias que até já foste quase assim, por onde andas? Diário de Lisboa e Diário Popular, se bem que vespertinos, que falta me fazem.

« "Laterna Magica" by Ingmar BergmanThis novelization of Ingmar Bergman's life is full of drama ­ he almost dies at birth; a theatre production seems cursed to fail; he is arrested and persecuted by the tax authorities ­ but after going through his dark night of the soul, Bergman finds humour and humanity in the world.

"L 136" by Vilgot SjömanThis diary of the filming of "Winter light" is a treasure trove of incident and trivia about the filmmaking process but it is also something much more profound. It is a prolonged discussion between Bergman and Sjöman where student Sjöman gradually begins to understand the craft, and master Bergmandiscovers what his film is about and the best way to make it.

"Persona"By 1965, Bergman had directed 26 films, some of them his most famous, but he was not happy. He had a breakdown, and out of that came "Persona", the first true, completely honest Bergman film. Liv Ullmann plays an actress who will not talk, because to talk is to lie and she is not a hypocrite. Bibi Andersson plays the nurse who cannot stop talking."The Image Makers"Cinema was a thing of magic and joy for Bergman, and his favourite film was"The Phantom Carriage" by Victor Sjöström.

"The Image Makers", Per OlovEnquist's fascinating meta-play about the making of "The Phantom Carriage",was staged by Bergman at Dramaten, and then filmed for SVT in 2000. Tartanhave released both films on DVD for the first time so look out for it.

"Regi Bergman"With over 1100 superb and rare photos, and approximately 350,000 words from over 370 different sources to create an oral narrative that encompasses the full working life of Ingmar Bergman in the theatre, film, TV, radio and on the page. It may not be polite to mention our book, but we believe in it,otherwise we would never have made it. »

Pelo tema, hoje, publico isto também no Charme Discreto da Bloguesia, que também merece.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

E a Suécia ainda será o que era? Um forte de segurança social?




Diz um amigo meu que ainda por lá anda, que não.


Que aquilo agora já é muito mais «its all over now, baby blue» do que curiosidade - nyfiken - azul ou amarela, e que dos filmes do Bergman ainda há memórias, haverá sempre - quero eu crer, mas esfumadas e esbatidas nas curtas horas destes dias de inverno, que são a pior praga daquelas paragens (tirando o funcho com que cozem os lagostins no verão), correndo cada vez mais pequenos e ensombrados para o corporativismo neo-liberal, concurrencial e agressivo que teima em arrastar os economicistas herdeiros de um certo estado social das coisas para o descrédito público do economês sauvage à la crise mundial com molho de rhode island e, desta vez, também à europeia. Mas o pior de tudo parece ser o medo que se esconde por entre as ameias do Forte-Europa ainda que em versão nórdica e até algo soft como nos têm dito os Loop Troop rockers: (Confesso que gostava mais do medo nos rostos do Bergman, mesmo que fosse de verão, com a Mónica - Alguém se lembra de que já jogámos pingue-pongue no ecrã da televisão?)
They could, still breath and everybody wasn't dead
Somebody recorded a song
And this is what it said:
After the first and the second world wars
You'd think us europeans couldn't take it no more
But we built up and tore down the Berlin wall
Only to build up a new and improved around our crumblin' Fort (Europa)
This one was a bit tricky, not visible to the naked eye
And if you was lucky
You could slip through the cracks and the crevices tuckin'
Your life under your arm, this way some people snuck in
Only to become second class citizens
Not listed in the system not existin in a sence
Illegal immigrants
The word left a bitter sin
This place is cold and evil, I should have never went to
[Chorus]
Fort Europa
My so called Eutopia
Where I can't find no culture
Feel the walls getting closer and closer and closer
Right here in Fort Europa (Right here)
Where I can't find no culture
Feel the walls getting closer and closer and closer»

domingo, 16 de novembro de 2008

Lazy Sunday... o Gato que não mordeu o Cão



Ao fim de tarde de domingo, sem grande paciência para outras preocupações, tal como cantavam os Faces, fico à espera dos Gato Fedorento para ver se me presenteiam com outra entrevista de truz à semelhança do que conseguiram com a MFL. Engano, não conseguem e até têm razão (o que para humorismo nunca é muito fiável), o intervalo foi mesmo o mais interessante, embora a casa do Toy não fosse nada de deitar fora, mas longe vão os tempos de rir às golfadas. Talvez devessem fazer um intervalo maior.

sábado, 15 de novembro de 2008

Letras e Pátio







Participei recentemente no lançamento de um livro sobre «Discursos e Práticas de Qualidade na Televisão», organizado conjuntamente com a Gabriela Borges, que foi apresentado pelo Eduardo Cintra Torres num espaço bem acolhedor de Faro - o Pátio das Letras, perto do mercado municipal. Vale a pena passar por lá, pelo espaço, pelo acolhimento, pelas exposições e pelos livros. O descanso do guerreiro, em fim de tarde no bar do Pátio, com algo que reconforte a garganta e o espírito, também se recomenda.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O Amor ainda é... mas já não é...


Outra manhã de ouvido no rádio, olho na 125 e mãos no volante (isto até dava quase para cantar os Doors em fundo) e fico preso no tom algo frio das actuais palavras do «Amor é…», sobretudo na neutralidade enfática de Inês Meneses a dizer que «não gosta da palavra lésbica» preferindo homossexual, para logo Júlio Machado Vaz explanar em tom sério as suas deixas até ao momento quase final em que explica, lexical e prof. qb, que a palavra lésbica vem da ilha de Lesbos, antevendo eu no seu tom de voz a remota possibilidade de alguma piada mais brejeira a lembrar os primeiros tempos do programa, mas à qual o afiado profissionalismo de Inês Meneses corta todas as vasas. Fico então nostálgico daquele tom de flirt suavemente picante entre o professor (embora nunca como tal designado) vivido, de bom recorte retórico e a sua interlocutora chique, jovial, loura por certo, mas bastante segura no fraseado solto e elegante de Ana Mesquita. E pensei, cá se fazem, cá se pagam! Pois ele houve lá alguma outra maldadezinha radiofónica mais cruel do que a que fizeram ao bom do António Macedo quando o substituíram na troca de argumentos com o Professor (aqui com P grande) pela bela Ana? Aquilo é que eram grandes trocas de piropos, «Ò Professor isto e Professor aquilo» interrompia Macedo com o seu vozeirão de barítono à café, «Ó António, não me chame professor, olhe que eu zango-me» ameaçava Vaz com convicção moderada, e de duas em duas frases de Professor, o António dava grandes gargalhadas, completamente boçais e a resvalar imprudentemente para algum machismo-portuga-tipo-manel-cheio-de-graça-que-também-faz-falta-porque-tristezas-não-pagam-dívidas, mas extraordinariamente contagiantes e indutoras de um magnífico espírito de libertação dos humores e dos amores, já para não falar no verdadeiro seguro de vida anti-cardíaco-matinal que difundiam pelo bom povo português a começar, seguramente, pelo impagável Animador do éter público, sendo que o Professor também amealhava, certamente, alguma apólicezita anti-qualquer coisa.
Ok, fica aqui o agradecimento público pelo bom serviço prestado às causas e às coisas que são o amor. Mas eu gostava mais do outro formato, com o Professor à António e o Macedo à Professor under cover, embora a Mesquita também não estivesse mal na maior parte das vezes. São gostos, eu sei e gostos não se discutem, mas isto, agora, às vezes fica mesmo muito profissional, muito clínico e muito radiofónico à séria. Já agora, sabem que os habitantes de Lesbos (que se transformou numa autêntica Meca para mulheres homossexuais) puseram uma acção em tribunal para garantir que só os habitantes e os naturais de Lesbos possam utilizar a designação de Lesbians? Eu acho que não vão ganhar, mas talvez possam recorrer para algum tribunal português… e, pelo menos, podem ir empatando.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A República dos Aiatolas


Razão tinha o outro para dizer que «isto não é nenhuma república das bananas». Pois não (dos bananas, já não sei), mas é a dos aiatolas (também ouvi hoje na rádio), tão fundamentalistas quanto os outros, os verdadeiros com denominação de origem controlada, sempre prontos a vociferar agarrem-me senão eu mato-o, mas logo os primeiros, também, a deitar as mãos à tola e a dizer ai, ai que aí vem a falência, a crise, a avaliação, a nacionalização, a regionalização, a globalização e outras coisas acabadas em ão. Eu me confesso aiatola de plantão.

Independência Já!


E logo mesmo ao virar da esquina radiofónica (grande fonte de inspiração blogueira matinal) apanho com o Dr. Monteiro (esse mesmo em que vocês estão a pensar, o homem ainda mexe sim senhor e também fala) a proclamar que já que é assim que a Madeira quer e já que não há respeito nehum pelas leis da república (a dos aiatolas é já a seguir), então que se lhes «dê a independência» JÁ!
Eu cá por mim, o quinhão que possa ser meu enquanto republicano (laico e tal... como diz o Dr. Soares), dou-o já. É da maneira quie passo a ir mais vezes ao estrangêro.

A Madeira é um Jardim?


Ainda não tinha digirido a análise mediática anterior e já levava nos ouvidos com a decisão regio-presidencial (de região, entenda-se) de classificar todos os professores como Bons. Assim é que é! Toma e embrulha! Dizia o Dr. Jardim que não queria cá (lá) «nada de conversas fiadas». Pois, com esta crise tóxico-financeira-educativa-o-e-escolinhas, quem é que quer hoje alguma coisa fiada? E seu fosse professor na Madeira, ou seja dos Bons, também não me fiava muito não, ou seja, corria.

A Drª Leite, o medium e a massagem


Logo pela manhã ouvi, no aconchego da viatura, a Drª Manuela Ferreira Leite analisar o alinhamento de um noticiário televisivo que teria colocado em 14º lugar a notícia de uma sua intervenção na esfera pública, com a seguinte sequência de afirmações (não exactamente transcritas, mas respeitando a essência): «Ainda não conseguimos fazer passar a mensagem ... eu assumo a minha responsabilidade ... mas todos nós, dirigentes (do PSD), temos uma parte nessa responsabilidade ... e os media ... que colocam uma notícia da nossa intervenção em 14º lugar e ao mesmo tempo do início do jogo do Sporting noutro canal ... assim não pode ser ... à 14ª notícia já ninguém ouve o que diz ...».
Ò Drª, aqui fica um conselho meu (que até penso ser de esquerda, seja lá isso o for nestes dias que hoje correm) e completamente de graça: já lá vão os tempos em que se pensava poder alterar o efeito da comunicação de massas alterando um qualquer factor do processo comunicacional (teoria hipodérmica, etc e tal... por exemplo, 3º em vez do 14º lugar), sendo que por vezes, quando a mensagem não passa, a responsabilidade pode nem ser dos agentes (emissores, receptores e meios), mas da própria mensagem, já pensou nisso? Até o próprio McLuhan que afirmou ser o meio a mensagem, veio depois precisar, já quase no fim da sua vida, que talvez fosse também a massagem. E às vezes é mesmo muito difícil diferenciar entre uma e outra, venham elas em 1º, 14º ou 53º lugar. E já agora, o Sporting também poderia refilar, assim como assim, não dá golos nem pontos nem bom futebol, mas isso também nem sempre é o que interessa mais, não é verdade?

Ai Protugal, Protugal...


Hoje acordei com veia blogueira.

Ainda pensei em escrever um texto de opinião para o Expresso, mas como hoje é 5ª feira, já a edição deve estar prenha e o meu esforço seria muito provavelmente inglório. Pensei escrever para o Público, mas logo me lembrei que todos os dias são mais os textos de opinião nas suas páginas do que às mães (ou pais). Pensei também enviar algo para a imprensa regional, mas aqui nesta província saem quase todos os jornais à 5ª, pelo que só apareceria em forma de letra de hoje a 8 dias e completamente desactualizado.
Vai daí, criei este blogue (autêntica obra milagreira da multiplicação das letras, esta coisa dos blogues na hora). E tá fêto, mas tenho que agradecer à Dra Leite, ao Dr. Jardim, ao Dr. Monteiro e à república dos aiatolas, que a todos ouvi esta manhã, on the radio, rolando em plena 125, os kicks que me bombaram a verve para encher a veia já referida e que passarei a expôr, já de seguida (não saiam do vosso lugar) e, espero eu, com alguma regularidade, assim não murche a veia: